
A listagem nos EUA voltou ao centro do debate no mercado de capitais. Nos últimos anos, diversas empresas brasileiras optaram por abrir capital em bolsas como NYSE e Nasdaq. Mais recentemente, surgiu um novo movimento: companhias que já estavam listadas na B3 decidiram fechar capital no Brasil para migrar para o mercado americano.
Segundo análise do sócio Carlos Portugal Gouvêa, publicada na revista IstoÉ Dinheiro, entender se a listagem nos EUA ainda vale a pena exige avaliar os fatores que historicamente sustentaram o chamado “prêmio de valuation americano”. Em média, empresas listadas nos Estados Unidos negociam com múltiplos significativamente superiores. Enquanto o Ibovespa gira entre 5 a 8 vezes EBITDA, o S&P 500 costuma variar entre 13 e 16 vezes.
Prêmio de valuation e atratividade da listagem nos EUA
A listagem nos EUA sempre esteve associada a maior liquidez, escala e presença de investidores globais. Além disso, o peso de empresas de tecnologia nos índices americanos contribui para elevar os múltiplos. Outro fator relevante é a percepção de governança e segurança jurídica, historicamente reforçada pela atuação rigorosa da SEC.
Estudos indicam que companhias estrangeiras listadas por meio de ADRs podem alcançar valorizações entre 16% e 37% superiores em comparação com pares não listados nos EUA. No entanto, isso não significa que a listagem nos EUA garante automaticamente valorização. Outros fatores, como setor, estratégia e governança interna, também influenciam diretamente o desempenho.
Mudanças regulatórias e novos riscos
Apesar das vantagens, o cenário recente trouxe mudanças importantes. Reformas nas leis societárias de Delaware fortaleceram acionistas controladores e reduziram certos deveres fiduciários. Ao mesmo tempo, a SEC diminuiu o número de investigações e punições por violações no mercado de capitais.
Essas alterações colocam em dúvida o papel dos Estados Unidos como referência global em regulação. Assim, a listagem nos EUA passa a envolver novos riscos, especialmente para empresas estrangeiras que dependem da previsibilidade regulatória.
Diante desse contexto, a decisão de buscar a listagem nos EUA deve considerar custos elevados de conformidade, exigências de transparência e objetivos estratégicos de longo prazo. Para empresas com ambição global, especialmente no setor de tecnologia, o movimento ainda pode fazer sentido. No entanto, o cenário atual exige uma análise mais cuidadosa e menos automática do que no passado.
Para ler o artigo completo, clique aqui.